LAMENTO

(Réquiem para a amada adormecida)

Ela surge de repente, com seu rugido silente,
Inaudível e ameaçador, o monstro inclemente
E baixa suas garras sobre a presa inconsciente
Sugando-lhe a vida, veloz e vorazmente.

E tive medo de perder o meu grande amor
Porque eu a tinha por toda vida ao meu lado
E do que tive medo de perder, perdi com tanta dor
Só sei que muito a amei e fui por ela amado
Só não sabia o que fazer, não pude e nada fiz
Prostrei-me impotente, tendo somente Deus como juiz.

Do nosso monte das oliveiras ao meu gólgota
Só sinto o medo da solidão sem esperança
Sangram em mim as chagas abertas pela saudade
Quanta angústia e dor, quanta maldade
E as lágrimas regam o meu jardim de lembranças.

Posso sentir sobre o rosto o meu sudário
Com a alma destorcida e em frangalhos
Dividido entre o mistério tão profundo
Descompassado pede trégua o moribundo
Pois não consegue chegar até o calvário.

Cheguei Senhor, ao fim da minha trilha
Pedregosa e árdua onde nada mais brilha
Mas finalmente terminei minha jornada
Julga-me agora com tua sabedoria
Porque muito errei, mas tu sabes, a covardia
Não deu um só passo junto mim na caminhada.

Quero crer que no outro lado ela me espera
Para que tudo volte a ser como antes era
No reencontro além da eternidade
Não espero o canto celestial da tua esfera
Quero o fim da angustiante dor, e a sua piedade.

Senhor, minha missão já foi toda cumprida
Devolva-me só o que nela me foi real
Quero que acorde a minha amada adormecida
Pois se não fosse a minha alma imortal
Não teria razão viver a vida.

Irineu T.Paulini - Nov.2010

 

 

CRÔNICAS E POESIAS